De repente trinta e seis! (Parabéns pra mim)
Eu acordei
No dia três de Outubro
Com um pensamento profundo
Que me trouxe uma angustia
Que fazia muito baralho
Nesse meu pobre coração
Que me bate sem dó
Por se entregar tanto a ilusões
Me levantei
Me olhei no espelho
E notei detalhes de um rosto
Que está envelhecendo
E foi pelos ares
O pedaço de chão
Que pensei ter
Embaixo dos meus pés
E enquanto eu flutuava
Nas lembranças
Do filme da minha vida
Que passava em minha cabeça
Percebi o tempo
Que perdi em vão
A vaidade, o orgulho
Que me fizeram dizer “não”
E reconheci
Que não tenho nada na vida
Nem nas mãos
Além dessa esperança
Que nasce todos os dias
Como o sol
Mas não sei como
Nem o porque
Eu reconheci também
Que apesar das dificuldades
Tive algumas oportunidades
Mas eu não soube aproveitar
E vivi todos esses anos
De enganos, desenganos
Fadado ao fracasso
Por errar e insistir nos erros
Sem pensar
Sem indagar como?
Como aprender, mudar
E fomentar o recomeço?
Agora já não tenho mais
Todo o tempo do mundo
E nem a vitalidade de antes
Afinal, cheguei aos trinta e seis
E com a sensação
De quem não fez
Tudo o que devia
Pra ser feliz
E não há nada pior
Na vida de homem
Que envelhecer sem alguém
Que lhe traga a paz
Que seja o seu cobertor
Que lhe dê um filho
Pra lhe roubar o juízo
E lhe ensinar o amor
Uma nova responsabilidade
E um novo princípio de valor
Através da família
Sua grande necessidade
E por mais que eu seja do bem
Que eu ande dentro da lei
Assim sem ninguém
Eu nunca terei
Nenhum prestígio
Dessa sociedade materialista
Que julga e discrimina
Pela aparência
Mas, de qualquer forma
Parabéns pra mim
Porque, apesar de tudo
Eu vivi
Me diverti, fiz amigos,
E por mais que seja simples
Essa história
Eu a escrevi até aqui
De repente trinta e seis
(parabéns pra mim)
Julio Cantuaria

