Eu sou da luta por dignidade
Eu sou do gueto sim
E não nego a minha origem
E trago na minha história
Não só vertigens
Mas marcas da luta diária
E carrego na bandeira
Os símbolos da foice e do martelo
O punho serrado
O corpo fechado e a fé
São tudo o que tenho
Mas não fujo
Da batalha contra o mal
Dessa selva de concreto
Onde o caos
Se sobrepõe a beleza natural
Eu sou o índio, sou o trabalhador
Sem terra
Sou preto, sou pobre
Sem nenhum valor
Para o sistema
Eu sou o soldado
Desertor da guerra
Eu sou o jovem sem oportunidade
E sem direitos de viver
Mas, a minha alma não tem cor
Nem tão pouco preço
Por isso, apesar de tudo
Venci o medo
E luto por igualdade
E se com união
A gente fizer a nossa parte
Meu irmão, nada vai
Nos afastar da dignidade
Que a gente sonha em ter
Pra viver
E ser livre
Pra sonhar e realizar
O que quiser e sem sofrer
Como a gente sofre hoje
Eu sou da luta por dignidade
Julio Cantuaria
