Hoje eu vivo só
E não passo
De um sonhador
E quando criança
Eu sonhei
Em ser um herói
Para combater o mal
Promover a paz
E o bem estar social
Mas a maldade
Desse mundo
Rouba a nossa esperança
E através do individualismo
Que esse sistema alimenta
O bem se desfaz dentro de nós
E a gente se vende
Pra comprar futilidades
Que nasce como um desejo feroz
E quando jovem
Sonhei em estudar
E me formar na faculdade
Mas, os meus pais
Não puderam pagar
E fiquei na saudade
E com um método árduo
A vida me ensinou
Na prática tudo que sei
Sonhei em ter
Um bom emprego
Mas a oportunidade nuca veio
E tudo que recebi foram “NÃOS”
E alguns trocados
Por pequenos serviços prestados
Que não pagam se quer
A vestimenta, o aluguel
E o feijão com arroz
E entrei em desespero
Recorri ao vicio
Para anestesiar a depressão
Eu sonhei em ter um filho
Mas a minha semente não vingou
Aliás, eu nem encontrei o meu amor
E como diz o ditado
Desse povo especulador
“Eu fiquei pra titio”
Eu sonhei, desejei
Ter uma casa
Bonita e confortável
Mas os meus sonhos
Sempre tiveram
As asas cortadas
E hoje vivo só nessa vida
Sou um pobre velho de dar dó
Mas, ainda sim, sonhador
Que vive apenas para trabalhar
Sem ver o tempo passar
Enquanto os sonhos ficam pra depois
E a remuneração?
São só migalhas
E muita frustação
Eu sonhei, mas as viagens que faço
São só em pensamentos
Que descrevo nos meus versos
Tão comuns
E sem valor nenhum
Carregados de dor e lamento
Eu sonhei
Em ganhar o mundo
E ser alguém de bem
Mas, por mais que eu luto
Serei sempre refém
Das injustiças que me deixam maluco
O maluco e sonhador
Julio Cantuaria

