Os olhos do caçador ferido

Os olhos da caça
Nem sempre vê
O perigo e a maldade
No caçador

Caçador que se finge de amigo
Ou disfarça e se camufla
Nas folhagens de tudo
Que se tem ao redor

Mas, nem sempre
A caça vira presa
Aliás, as vezes
Ela revida e foge depressa

Para longe do alcance
Dos olhos do caçador
Fazendo com que ele
Erre o alvo

E como se não fosse
O bastante
O caçador ainda fica
Com o orgulho ferido

Por sua própria mira
Por errar o tiro
Por aquele amor
Não ser recíproco

E ainda o fez parecer
Um frágil bicho
Solitário e perdido
Na imensidão da selva

Bem diferente do predador
Que ele sempre se achou
E com ela
Ele não passou de preza

Os olhos do caçador
Se encantou com a preza
Que logo notou
O perigo e fugiu depressa

E o resumo dessa história
É caçador de coração ferido
Louco e sem juízo
Pelo mundo afora

Seja noite ou dia
Procurando aquela caça
Que virou um vício, obsessão
E roubou a sua alegria

Mas não acha
E o tempo passa
Fazendo da solidão
O seu maior castigo

Os olhos de caçador
Com o orgulho ferido
Estão cheios de lágrimas
Por ser vítima

De um amor bandido
Que soube se defender
De um sentimento
E do futuro indefinido

Os olhos do caçador ferido
Julio Cantuaria

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