Peguei uma coberta fofa, uma xícara de café e sentei na minha poltrona.
Lá fora o mundo caía. O céu despencava suas lamúrias e a água que batia agitada sobre o ferro esculpido da varanda, tilintava no vidro – que eu – continuava olhando.
Lembrei-me de quantas vezes precisei fazer isso. Quantas vezes necessitava recarregar minhas forças para dar mais um passo. Recordei-me de que também era obrigada a escutar que “Ser forte é a única saída”. Não, eles estão errados!
Ás vezes ser fraco não é covardia, sentir sua dor é como deixar o céu despencar. É esperar um dia mais fresco e menos tempestuoso dentro de si.
Nós só conseguimos reprojetar se estivermos com coragem o suficiente para começar de novo.
Olhei mais uma vez para o céu naquela tarde fria. Nuvens carregadas, a cor cinza tingindo tudo ao seu redor e nenhum pássaro naquela confusão de raios, água e ventania. Pensei comigo mesma que nenhuma ave é considerada covarde…
Cheguei à conclusão de que sou andorinha. Abandono o céu quando ele escurece. Eu espero o seu recomeço e os dias claros para ser livre e voar cortando os ares.
Eu sei os meus limites como os pássaros. Não sou covarde, sou andorinha!
Thalita Cini

