Meu irmão saiba que o leão
Vai vir tira de você e de mim
Quase toda a nossa renda
O fruto do nosso suor
E das dificuldades
Impostas por esse sistema
E no dia a dia
A gente se equilibra
Na corda bamba
Dos desejos, ilusões e necessidades
Como por exemplo
Não deixar faltar o pão
E a gente sempre canta
O refrão de um velho samba
Pra disfarçar a indignação
Com a ambição
Dos nossos políticos
Sem noção e sem vontade
De resolver os problemas
Desse nosso povo faminto
De saúde, educação
Oportunidade e justiça
E que estão sendo dizimados
Pela intolerância
Afinal, a nossa segurança aqui
É a nossa fé em Deus
Por isso todo mundo vive
Assustado e apressado
A ponto de não se comover
Com a violência
E o povo prefere o silêncio
Para não se comprometer
Com o pensamento livre
Por medo do que ódio
Pode fazer
Sem consciência das consequências
Meu irmão
Não me entenda mal
Mas, o fato é que o leão
Vai vir tirar de você e de mim
Quase toda a nossa renda
Para manter a máquina
Máquina regida pelo capital
Que explora quem trabalha
E que só defende os interesses
Dos agentes que tem influências
E que conseguem manifestar
As suas vontades sobre quem governa
Meu irmão
Essa é a Babilônia
Terra da ilusão
Que te condena
Te rouba, te escraviza
E tira a sua vida como sacrifício ao sistema
Sacrifício do sistema
Julio Cantuaria

