Indigentes na sua própria terra

Cidadão apolítico
E desunido até na fome
Dessa miséria gerada
Por esse capitalismo

Um bando de selvagens
Bem diferente dos índios
Que foram dominados a força
Perdendo o brilho de sua cultura

E agora são tratados
E subjugados
Como indigentes
Na sua própria terra

Esse povo brasileiro
É refém da lenda
De quem nasce pobre
Nunca será da nobreza

Enquanto a realeza se deleita
No banquete
E ostenta o luxo
Extraído no suor

De quem trabalha
E se contenta
Com o resto
E com a prática de obedecer

Aos criminosos que estão no poder
Protegidos pelas leis
Que eles mesmos fizeram
Para nos condenar

A essa morte lenta
Sem a esperança
De ver o país mudar
E valorizar os seus filhos

Esse é o povo brasileiro
Que apesar de ser guerreiro
É desatento e omisso
Aos seus deveres e direitos

Povo desunido, apolítico
Indigentes na sua própria terra
E vive a espera
De um futuro que nunca chega
Indigentes na sua própria terra

Julio Cantuaria

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