O povo das cidades metropolitanas
Do estado de São Paulo
Nesses trens do inferno
Sofrem pra caralho
Corre que lá vem
O trem do inferno
É um empurra e empurra
É cada um por si
E Deus pra todos
Nesse mundo de cegos e loucos
Aqui o desespero e de todo o mundo
E a paciência e a educaçãoNão é de ninguém
E se for a linha Sete Rubi
Vichi, essa é a pior que eu já vi
Seja na estação da Luz
Ou em Francisco Morato
O maquinista conduz
O cata louco que já sai lotado
É tanto calor humano
Que quatro, cinco corpos
Ocupam o mesmo espaço
É tanto empurra e empurra
Que muita gente passa mal
Imaginem só tem até tarado
Quanta ousadia
Controla-se maluco
Pra não entrar numa fria
Eu nunca vi
Em nenhum outro lugar do mundo
Estudante e trabalhador
Ser transportado pior que gado
Nessa velha lata de sardinha
E pra quem não sabe
Aqui tem até camelôs
Tentando ganhar o seu pão do dia a dia
Mas se não for esperto
Perde toda a mercadoria
Por que os PFs estão na linha
E corre que lá vem
La vem o trem do inferno
Eu quero ver quem é
Que não está insatisfeito
E quer se juntar a esse manifesto
Afinal, são tantos os problemas
Nesse velho sistema
Ocioso, obsoleto
E defasado
Atenção senhores usuários
Os trens estão com velocidade reduzida
E maiores intervalos
Por favor, seja paciente
Por que estamos aguardando
Autorização do centro de controle operacional
E a movimentação do trem a frente
Muita calma nessa hora
E se segura
E não adianta perguntar
De quem é a culpa
Por que nada muda
Aliás, o que muda todo ano
É a demanda que aumenta
E já que você não tem opção, cidadão
Então aguenta
Corre que lá vem o trem do inferno
Da CPTM erda
Esse é o governo do estado de São Paulo
A gestão do caos
No maior centro financeiro do país
Que não oferece um transporte decente
Ao pobre trabalhador que paga caro
E vive estressado e infeliz
Nesse sofrimento de ida e volta
Perdendo três, quatro horas por dia
É só Deus na vida
Pra enfrentar essa rotina
O trem do inferno da CPTM
Julio Cantuaria

