Nem todo choro
Comove um povo
Afinal, nos guetos
Mundo afora
E eu não falo nada de novo
Crianças choram de fome
E num barraco do morro
Mais uma mãe
Chora por perder o seu filho
Nessa grande violência
Eu não sei por que a gente
Não se pergunta
Cadê a nossa consciência?
Até por que a nossa paciência
Não vai mudar essa realidade
Já o choro de um bilionário
Jogador de futebol
Ou de um artista
Fazendo marketing na mídia
Chama tanto a atenção
E com essa distração
A população para tudo
Só pra ver pela televisão
A Novela e o carnaval
Mas na vida real
O sofrimento do nosso próximo
Não nos causa incomodo
Quem dirá comoção
Afinal, o mundo é tão desigual
E tanta gente chora
Ao ver a esperança ir embora
E morrem antes da hora
Mas tudo isso é tão normal
Nesse pobre contexto social
Onde milhões de pessoas
Parecem ser invisíveis
Representadas apenas por números
Cujos sonhos parecem impossíveis
Nesse submundo
Onde a miséria
E o desespero aumenta
E a violência dita às regras
Por que a justiça é cega
E a lei que prevalece é o silêncio
E assim como o choro das mães
Que passam despercebidos
Por todos nós
Esses versos também
Não terão representação na sua voz
Afinal, elas são pobres
E por mais que essa causa
Seja nobre
O sistema coloca as nossas vidas
Na conta da sorte
Os invisíveis também choram
Julio Cantuaria

