Diminuiu se o tempo
E ainda o perdem atoa
Aumentou o emburrecimento
As pessoas já não são boas
Agora estão cada vez mais longe
De decodificar a realidade
Para quebrar paradigmas
E ir além dessas grades invisíveis
Se quer, são capazes
De fazer análises de variáveis
Que junto aos fenômenos
Estão por todas as partes
E nada é anônimo
Afinal, tudo está interligado
Em todas as classes
Da base ao topo da pirâmide
E até o Estado
Que de público já não tem nada
Um exemplo disso
São os que ocupam os cargos
Defendem de maneira irresponsável e desgovernada
Os interesses de um mercado
Que só visa lucro, exploração e consumo
Enquanto os pobres sofrem
Com os efeitos dessa causa
Até porque, na vontade do ter
Se perderam do juízo de valor
E vendeu se o sonho
Comprou se a ilusão
Privatizou não só mão de obra
Mas também a vida
Que se transformou em robô
Agora estão longe da saída
E todos estão preocupados
Em apertar os seus botões
E ocupados demais pra pensar
E quem vai levantar os temas?
Denominar os problemas?
Apontar hipóteses e respostas
De um novo modelo social?
Embasado na educação plena
Que proporcione oportunidades
De acabar com a fome
E miséria dos cidadãos?
Onde ninguém precise roubar
Muito menos tirar vidas alheias
Até porque, a justiça fará
Com que crime não compense
É preciso parar e pensar
Criar consciência De que união
É o que nos levará
Pra fora dessa caverna
Nossa velha prisão
É preciso compartilhar
O amor, boas ideias
Juízo de valor
Revolução de mundo melhor
Com atitudes diferentes
Desse grande individualismo
Alimentado pelo capitalismo
Ambicioso e selvagem
Segregador, sugador de almas
De lágrimas, suor e sangue
Do pobre trabalhador
Que não tem dignidade
E nem se quer chance de viver
E você pode não concordar
Mas, nas entrelinhas
Esse poema vai além
Das minhas expectativas
Dos conflitos que nascem
Entre as relações sociais
E até dos debates
Entre os clássicos e neoliberais
Que discutem a desigualdade
Livre mercado, Estado mínimo
Investimentos e meritocracia
Na estrutura da discrepância
Da injustiça e da hipocrisia
Saiba que meu viés ideológico
Não é contra propriedade privada
E olha que eu não tenho nada
Mas contra falta de humanidade
De quem só sabe explorar a mais valia
Eu sou contra a inversão
Do juízo de valor
Onde quem tem
Acumula cada vez mais
E trabalhador continua escravo
Escravo e açoitado pelo Estado
Seu eterno capataz
Que confisca lhe os salários
Em forma de tributos
Mas não lhe garante
Os direitos previstos em lei
Aliás, será que isso tudo
É loucura minha?
Sinceramente, não sei
Há quem acredite ser normal
Mas será que a inversão
Do juízo de valor
É um fenômeno
Natural social?
Talvez, isso tenha sido
Só mais um pesadelo meu
E quando eu acordar
Verei que tudo está normal
Como sempre foi
O paraíso e o luxo dos poucos
deuses, reis e suas nobrezas
O subúrbio e o lixo
Dá ralé, da plebe, dos escravos
E herdeiros da pobreza
O tempo, os fenômenos e o emburrecimento
Julio Cantuaria


Muito profundo, quem sabe um dia teremos esta utópia pra chamar de país…..
Grande abraço.
Olá Fernando.
Muito obrigado pela leitura e pela gentileza do comentário.
E que bom, que mesmo, apesar de toda complexidade que envolve o nosso contexto social, ainda podemos sonhar.
Um abraço!